lunes, 25 de mayo de 2009

EFICIÊNCIA PRODUTIVA E REPRODUTIVA EM VACAS LEITEIRAS


 RESUMO

O presente trabalho teve por objetivo avaliar efeitos de transtornos puerperais sobre a eficiência reprodutiva e produtiva de vacas da raça Holandês de uma estação experimental, durante 24 anos. Foram coletados dados produtivos e reprodutivos de 350 vacas. Todos os dados foram submetidos à análise descritiva. As variáveis dependentes: intervalo entre partos (IEP), intervalo parto concepção (IPC), intervalo parto primeiro cio (IPPC), número de crias (NC) e produção de leite (PL) foram submetidas a análise de variância para determinação dos efeitos da ocorrência de transtornos puerperais (aborto, natimorto, distocia e retenção de placenta) e de mastite. A idade ao primeiro cio (IdPC) foi de 29,4 meses, a idade ao primeiro parto (IdPP) de 37,1 meses e a longevidade (L) de 69,7 meses. O IEP apresentou média de 14,6 meses, o IPPC de 97,0 dias e o IPC de 150,7 dias. O intervalo entre cios (IEC) apresentou média de 48,2 dias, sugerindo falhas na detecção de cios. Foi observado efeito significativo (P<0,05)>. A ocorrência de distocia (P<0,05)>


INTRODUÇÃO

O incremento na produção nacional de leite nos últimos 30 anos, de 5 bilhões de litros/ano em 1960, para cerca de 14 bilhões de litros de leite se deveu, principalmente, pelo aumento no número de vacas ordenhadas (81%) e não pelo aumento na produtividade (19%; FERREIRA, 1991). Um baixo desempenho reprodutivo determina menor produção de leite e de terneiros, incremento nas despesas de manutenção com vacas secas, maiores taxas de descarte e maior número de doses de sêmen por concepção. A eficiência reprodutiva de um rebanho é um dos componentes mais importantes na performance econômica de uma propriedade de produção de leite. Segundo GAINES (1994), o ganho potencial resultante do incremento na taxa reprodutiva é cinco vezes maior que o esperado pelo aumento da qualidade do leite e três vezes maior que o esperado pelo melhoramento genético, sendo apenas inferior aos ganhos que podem ser obtidos pela melhoria na nutrição.

A intensificação dos sistemas de produção de leite indica que as vacas devem ser cobertas o mais cedo possível após o parto. No entanto, os melhores índices de fertilidade são obtidos com serviços a partir dos 60 dias pós-parto. Algumas enfermidades puerperais e metabólicas (STEVENSON & CALL, 1988), bem como deficiente detecção de cio (ESSLEMONT, 1993) podem ser responsáveis por subfertilidade, prolongando o intervalo parto-concepção.

Considerando essa situação, o objetivo deste estudo foi quantificar transtornos reprodutivos em um rebanho de vacas leiteiras no Rio Grande do Sul, e avaliar seus efeitos sobre determinados índices reprodutivos visando proporcionar novas alternativas para a otimização de índices reprodutivos e a produção leiteira.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

Foram analisados dados produtivos e reprodutivos, coletados de fichas individuais registradas durante 24 anos, de 350 vacas da raça Holandês, criadas no Centro de Pesquisa de Pecuária dos Campos Sulbrasileiros da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (CPPSUL) situado em Bagé, Rio Grande do Sul. O peso mínimo estabelecido para o primeiro serviço (inseminação artificial) das novilhas era de 340kg. A interrupção da lactação das vacas era realizada 60 dias antes do parto, ou em função de baixa produção de leite. Os animais eram ordenhados através de ordenha mecânica duas vezes ao dia.

As variáveis dependentes consideradas foram divididas em: características reprodutivas, como intervalo parto concepção (IPC), intervalo parto primeiro cio (IPPC), intervalo entre cios (IEC), intervalo entre partos (IEP), idade ao primeiro parto (IdPP) e idade ao primeiro cio (IdPC); e características produtivas, como produção de leite (PL), calculada com base na produção diária e corrigida para 300 dias, número de crias (NC) e longevidade em anos (L), considerada como a idade em que os animais apresentaram o último parto. Como variáveis independentes foram considerados aborto, natimorto, distocia, retenção de placenta e mastite. Estatísticas descritivas foram geradas para essas variáveis independentes, sendo as variáveis dependentes IEP, IPC e IPPC submetidas também à análise de variância para determinação dos efeitos das variáveis independentes.

Os intervalos entre cios foram divididos em categorias, de acordo com os critérios de GAINES (1994), para que fosse possível a análise do perfil dessa variável. O perfil do intervalo entre cios geralmente é recomendado para analisar a eficiência da detecção de cio e a mortalidade embrionária. As categorias consideradas foram 0-3 dias, 4-17 dias, 18-24 dias, 25-35 dias, 36-48 dias e >48 dias. Essas classes de intervalos são baseadas no intervalo entre cios normal de 21 dias com a variação de 18-24 dias.

 

RESULTADOS

Durante os 24 anos em que os dados foram coletados, ocorreram 1129 partos de 350 vacas. Do total, noventa por cento das vacas incluídas no estudo tiveram entre 2 e 5 partos e apenas 10% delas de 6 a 8 parições, com 40,6% das vacas apresentando 2 partos e somente 2,9% atingindo oito partos.

A idade média ao primeiro parto ocorreu aos 37,1 meses (amplitude de 12,3 a 80,1 meses) e o primeiro cio aos 24,9 meses (amplitude de 13,8 a 70,6 meses), deduzindo-se que a concepção tenha ocorrido em torno dos 27,8 meses de idade (Tabela 1). A longevidade, considerando-se a idade ao último parto, foi 69,7 meses, em média, e não foi afetada pela ocorrência de doenças puerperais, nem pela ocorrência de mastite (P>0,05). Em 48,1% das gestações, foram verificados transtornos periparturientes, (aborto, natimorto, retenção de placenta, distocia e mastite) cujas freqüências estão representadas na tabela 2.

 

 

 

 

O IPPC observado apresentou média de 97,0 dias, variando de 11 a 568 dias. Esse índice reprodutivo não foi afetado por nenhuma das alterações puerperais. Por outro lado, o IPC foi afetado pela ocorrência de distocia e natimortos. Os efeitos das alterações puerperais estão relacionados na tabela 3. A PL diária foi de 11,0kg de leite, enquanto que a produção corrigida para 300 dias foi de 3306,9kg (Tabela 4), sendo observada maior produção na oitava lactação, quando a produção média corrigida para 300 dias foi de 4212,0. A PL foi afetada significativamente por distocia (P<0,05).>

 

 

 

 

Foram também relacionadas as freqüências dos intervalos entre cios observados, representados na tabela 5. Esses cios foram estratificados em classes que permitiram inferir sobre problemas específicos tais como: liberação precoce de prostaglandina F2a (<17> 45 dias).

 

 

DISCUSSÃO

A idade à concepção das novilhas, em torno dos 27,8 meses, foi estimada tomando-se como base um período de gestação de 278 dias (McDONALD, 1989). A idade média ao primeiro parto dos animais relacionados neste trabalho ocorreu aos 37,1 meses, estando associada ao momento do primeiro serviço, realizado quando os animais alcançavam 340kg de peso vivo. Essa idade pode ser considerada superior ao preconizado para o primeiro parto de vacas da raça Holandês, que, segundo FETROW et al. (1997), é de 22-25 meses. No entanto, há que se considerar que, no período de avaliação, os animais foram submetidos a diferentes sistemas de criação proporcionados pelos ensaios experimentais a que foram submetidos.

Dentre as afecções periparturientes, retenção de placenta e mastite foram as que ocorreram com maior freqüência. As demais anormalidades (aborto, natimortos e distocia) apresentaram freqüências inferiores a 10%, o que estaria dentro de um limite aceitável (FETROW et al., 1997). Entretanto, a alta freqüência desses transtornos puerperais (48,1%) indica falhas no manejo, o que dificulta a obtenção de melhores índices produtivos e reprodutivos. Os transtornos periparturientes ocorrem como um complexo e estão relacionados entre si, afetando outros parâmetros reprodutivos (CURTIS et al., 1985), sinalizando que medidas profiláticas reprodutivas e sanitárias para prevenir a ocorrência de um transtorno, podem diminuir o risco de incidência de outros relacionados direta ou indiretamente (STEVENSON & CALL, 1988).

O IEP, cuja média foi de 14,6 meses, demonstra que o manejo reprodutivo desse rebanho estava aquém do ideal (12 meses) considerado por FERREIRA (1991), porém essa meta não é alcançada, sendo considerada apenas como um parâmetro indicador dos procedimentos de manejo reprodutivo.

As vacas que abortaram apresentaram um IEP 165,3 dias (5,5 meses) mais longo do que as que pariram normalmente. Esse valor foi tão alto, porque a uma gestação interrompida se sucede um puerpério anormal. Como a todo aborto segue-se uma inflamação endometrial, geralmente associada à retenção de placenta, pode haver um atraso na concepção seguinte (STEVENSON & CALL, 1988). Neste trabalho, verificou-se esse efeito prejudicial do aborto sobre o IEP, porém, quando os casos registrados de retenção de placenta foram analisados isoladamente de aborto, não tiveram efeito sobre o IEP. Isso pode ter ocorrido porque o registro provavelmente ateve-se apenas ao processo patológico mais evidente, o aborto, ficando a retenção de placenta omitida, já que, segundo ROBERTS (1971), raramente a retenção de placenta ocorre de maneira isolada.

O acréscimo de 165,37 dias no IEP, em vacas que abortaram, significa a perda de uma produção de 1.189,1kg de leite, que deixariam de ser acrescidos na receita da propriedade.

A ausência de efeitos da ocorrência de natimortos, mastite e distocia sobre o IEP difere de trabalhos que indicam um drástico efeito desses fatores sobre índices reprodutivos (ROBERTS, 1986; YOUNGQUIST, 1997). A natureza e subjetividade dos diagnósticos registrados nas fichas disponíveis podem ter contribuído para essa diferença.

O IPPC observado apresentou média de 97,0 dias. O valor mínimo de 11 dias ao primeiro cio observado pode ser considerado como falha no registro ou na observação, apesar de que intervalos menores (8 dias) têm sido registrados na bibliografia (SCHNEIDER et al. 1981). Esses dois problemas podem estar acontecendo de maneira simultânea e, por este trabalho se tratar de uma análise retrospectiva, não é possível se avaliar a veracidade dessa observação. O valor máximo observado não é comum (568 dias) e pode ser atribuído a falhas de observação ou prolongamento da estação reprodutiva. SCHNEIDER et al. (1981) documentaram 127 dias como máximo, o que fica ainda muito superior ao ideal recomendado por FETROW et al. (1997).

A variável IPPC foi menos sensível que o IPC, no que se refere aos efeitos das anormalidades puerperais. Isso, provavelmente, ocorre porque, mesmo com a ocorrência de problemas reprodutivos, a vaca pode apresentar o primeiro cio pós-parto sem que ocorra a concepção. Desordens como distocia e natimortos afetariam então o IPC, mesmo sem afetar o aparecimento do primeiro cio pós-parto. Por outro lado, o IPC foi afetado pela incidência de distocia e natimortos.

O IPC apresentou média de 150,7 dias, o que, segundo ESSLEMONT (1993) representa um problema grave. Esse mesmo autor considera ideal um IPC situado entre 75 e 85 dias, para que o IEP alcançado seja de 12 meses. Esse intervalo foi afetado significativamente por distocia (P<0,05),>et al., 1969) e os efeitos do estresse sobre o eixo hipotálamo-hipófise, suprimindo a secreção de gonadotrofinas (LI & WAGNER, 1983). Podem ser incluídas também como causas do atraso na concepção, inflamações genitais inespecíficas pós-puerperais, falta de controle da qualidade e aplicação do sêmen e ausência de registros ginecológicos periódicos. Vacas que apresentaram distocia tiveram um IPC 37,7 dias superior às que apresentaram partos normais. THOMPSON et al. (1983) mostraram que vacas com distocia tiveram intervalos parto primeiro serviço e parto concepção mais longos com maior número de serviços por concepção.

O IPC foi afetado significativamente (P<0,05)>

Os intervalos entre cios, observados neste trabalho (Tabela 5), indicam que em 16,4% das ocasiões houve falha na detecção de cio. Possíveis alterações inflamatórias determinantes de liberação precoce de PGF2a ou falha na detecção de cio ocorreram em 6,3% dos casos (intervalos entre 4-17 dias). Ciclos estrais regulares (18-24 dias) foram verificados em 44,6%, salientando a importância da detecção de cio. Intervalos entre 25 e 35 dias sugerem mortalidade embrionária e foram verificados na freqüência de 5,8%. Intervalos entre cios superiores a 48 dias (indicativo de aborto) ocorreram em 27,0% dos casos. Caso se considere essa freqüência de intervalos entre cios superiores a 48 dias (27,0 %) como abortos, os registros de 4,4 % (Tabela 2) ficaram subdimensionados e sugerem falhas nos registros ou dificuldade de se diagnosticar o aborto a campo.

Propriedades que tenham deficiências na detecção de cio devem melhorar seu manejo, fazendo observações duas vezes ao dia ou utilizando de rufiões marcadores, ou ainda, através de programas de sincronização. A falha na detecção de cio contribui para o aumento do IPC e, subseqüentemente, o IEP, que foram significativamente correlacionados (r= 0,32 – P <>

Em 53,4% das vacas, foi observado apenas um cio antes da concepção, o que representa um valor adequado, porém houve ocorrência de até 12 cios antes da concepção, sugerindo falhas de manejo que podem contribuir para um maior IPC. Relacionando-se a alta incidência de vacas que apresentaram apenas um cio antes da concepção com o alto IPC (150,7 dias), que é considerado como um problema severo dentro da propriedade, sinaliza-se para a necessidade de se atentar para falhas na detecção de cios.

O IEP e o IPC foram significativamente aumentados em conseqüência de transtornos puerperais, prejudicando a eficiência reprodutiva. Embora os índices produtivos e reprodutivos gerais do rebanho não estivessem muito diferentes dos observados para rebanhos nacionais, como um IEP de 18 meses (FERREIRA, 1991), o manejo preventivo e o tratamento adequado de problemas puerperais podem determinar incrementos expressivos nesses índices.

A PL foi afetada significativamente (P<0,05)>et al. (1981) em que vacas sem distocia produziram mais leite do que as vacas com distocia.

Deve-se ressaltar que os dados estudados pertencem a uma unidade experimental, não significando que representem a realidade encontrada em propriedades rurais, mas podem servir como base para que mais pesquisas sejam realizadas nesta área na qual poucos índices produtivos e reprodutivos são conhecidos.

 

CONCLUSÕES

Os índices IEP e IPC do rebanho são afetados por transtornos reprodutivos que ocorreram durante o puerpério, prejudicando a eficiência reprodutiva do rebanho. O monitoramento do IPC constitui uma importante ferramenta para o incremento da eficiência reprodutiva por estar intimamente associado ao IEP. A PL, por sua vez, foi afetada pela ocorrência de distocia, sugerindo o fator estressante que representa esse problema, refletindo-se na função lactogênica. A falha na detecção de cios reflete as falhas de manejo e registro de dados, comprometendo a eficiência reprodutiva do rebanho, prejudicando todos os índices produtivos.

Manejo del agua de Bebida

 Introducción
 ¿Qué cantidad de agua necesita un animal?
 ¿Consumen los animales toda el agua que requieren?
 Manejo del agua en sistemas de producción
 Efectos indirectos asociados al manejo del agua
 Consideraciones en relación al impacto productivo  
del manejo del agua
 Recomendaciones generales para el manejo del agua  
en sistemas lecheros y ganaderos
 
  
Introducción
Tradicionalmente el agua ha sido el nutriente al que menos atención se le ha dedicado sobre el supuesto que, cuando existe una fuente de agua cercana, los requerimientos de los animales están siendo cubiertos. Raramente son cuantificados  los requerimientos de agua de diferentes categorías en pastoreo y difícilmente se tiene la certeza de si la fuente de agua está cubriéndolos satisfactoriamente.  

Desde el punto de vista productivo, una restricción en el consumo a voluntad de agua respecto de lo que el animal requiere para satisfacer sus requerimientos, redundará en una merma del producto respecto al potencial esperado. Es necesario revalorizar el rol del agua como nutriente para el animal y el manejo del agua en el sistema de producción como herramienta que garantice un consumo acorde a los requerimientos. La consecuencia directa de esto será una potencialización del impacto productivo de las demás técnicas que se estén aplicando.  

Varias interrogantes se plantean a la hora de planificar el uso y distribución del agua:  

    • ¿Cuánta agua necesitan los animales?  
    • ¿Qué factores modifican estos requerimientos?  
    • ¿Cuál es la mejor forma de suministrar el agua?  
    • ¿Vale la pena apostar a una mejora en la calidad, cantidad y distribución en la oferta de agua?
Para algunas de estas preguntas la información es categórica, mientras que para otras aún quedan aspectos sin cuantificar. A continuación se intenta dar respuesta a algunas de estas interrogantes.  

 ¿Qué cantidad de agua necesita un animal?
 Los requerimientos netos de agua de un animal están dados por la cantidad de agua necesaria para mantener el balance corporal. Las mismas equivalen a la suma de las pérdidas de agua en heces y orina, pérdidas evaporativas para disipación del calor, más el agua retenida en el cuerpo en tejidos para crecimiento y preñez, así como la secretada en leche. Estas cantidades no son fijas, sino que varían en función de numerosos factores. La interacción de todos éstos, determina que los requerimientos de agua sean muy variables dependiendo de las diferentes combinaciones de factores que se presenten (Figura 1).  
 

Figura 1. Diagrama explicativo de los distintos factores que influencian los requerimientos y el consumo de agua en los  bobinos.
Los factores que afectan los requerimientos de agua pueden ser agrupados en tres tipos principales: 
    • Relativos al animal: tamaño, estado fisiológico, nivel productivo, consumo diario de materia seca.  
    • Relativos a la dieta: contenido de humedad, nitrógeno, fibra y sal.  
    • Relativos al ambiente: temperatura ambiente, variación diaria de temperatura, humedad relativa, lluvia y viento.
Relativos al animal:   
La lactación es el estado fisiológico que más incrementa los requerimientos de agua debido a que ésta constituye el 87% de la leche. Esto determina que las vacas lecheras necesitan mayor proporción de agua en relación a su peso corporal que la mayoría de las especies domésticas, aumentando la demanda total en forma proporcional al nivel de producción de leche.  

Igualmente, vacas gestando o animales en crecimiento con altas tasas de ganancia son categorías que, proporcionalmente, también demandan más agua. Hay una fuerte relación entre la tasa metabólica y el intercambio de agua corporal. Como consecuencia de esto los requerimientos de agua son mayores relativamente en animales jóvenes y altamente productivos que en animales viejos y menos productivos.  

Relativos a la dieta:   
Existe una relación directa entre el consumo de materia seca (MS) y los requerimientos de agua. Animales con elevado consumo de MS demandan mayor cantidad de agua. Como contraparte, una restricción en la oferta de agua ocasiona una reducción en el consumo de MS, afectando indirectamente el nivel de producción esperado. Igualmente, un aumento en la concentración de materia seca en la dieta, así como un alto tenor de proteína cruda, fibra o sal, incrementan marcadamente los requerimientos de agua. El tipo de alimento ofrecido (concentrado, heno, ensilaje, forraje fresco) a través de estas variables puede modificar los requerimientos de agua.  

Relativos al ambiente:  
La temperatura ambiente afecta directamente los requerimientos de agua. A medida que la temperatura ambiente se eleva los animales mantienen su temperatura corporal constante disipando el calor en exceso a través de la transpiración y evaporación pulmonar. La tasa respiratoria aumenta, y junto con ésta aumentan las necesidades de agua. Cuando la humedad relativa ambiente es elevada este mecanismo es ineficiente, y los efectos del estrés calórico son máximos. Sin embargo del punto de vista de los requerimientos de agua, estos disminuyen. Las demandas serán máximas en condiciones de elevada temperatura y clima seco. 

Los requerimientos de agua pueden ser llenados a partir de tres fuentes: a) el agua de bebida, b) el agua contenida sobre o en el alimento consumido y c) el agua resultante de la oxidación metabólica de los nutrientes que utiliza. Dependiendo del tipo de dieta, el agua consumida a través del alimento puede sustituir en gran medida al agua de bebida.  
 

1. Cuantificación de los requerimientos de agua de bebida en las distintas   categorías de vacunos  
Para poder determinar cuánta agua debe ser suministrada bajo la forma de agua de bebida a una determinada categoría animal, en una situación productiva particular (caracterizada por el tipo de alimento consumido y el clima predominante), los diferentes factores que inciden sobre los requerimientos deben ser integrados en una fórmula de cálculo.  Distintas ecuaciones de predicción han sido generadas para ganado lechero a partir de la observación del consumo voluntario de agua. A continuación se presenta una de ellas que considera el efecto del nivel de producción de leche, la temperatura ambiente y  el contenido de sal en la dieta. Dado que esta ecuación de predicción fue desarrollada para animales consumiendo una dieta a base de ensilaje y concentrado, el contenido de MS de la dieta no es considerado. 

Vacas lecheras:  
 

Consumo agua (l/an/día) = 5.99 + 0.90(PL) +
1.58(CMS) + 0.05(Na) + 1.20(T)
PL: producción de leche (kg/día)  
CMS: consumo de materia seca (kg/día)  
Na: contenido de sodio de la dieta (g/día)  
T: temperatura ambiente (ºC) 

De acuerdo a esta ecuación, el consumo de agua aumenta en 0.9 litros por cada litro de leche producido, 1,58 litros por cada kg de aumento en el consumo de materia seca y 1,20 litros por cada un grado de aumento en la temperatura ambiente, cuando las otras dos variables se mantienen constantes. 

¿Qué representa esto del punto de vista práctico?  
A los efectos de ejemplificar, considérese un rodeo lechero de vacas Holando, con un peso vivo promedio de 600 kg. y un consumo de Materia Seca aproximado al 3% del peso vivo animal (NRC, 1987). Usando la fórmula citada, se calculó el consumo de agua requerido para un rodeo con estas características y para variaciones conjuntas en la temperatura ambiente y en el nivel promedio de producción de leche (Gráfica 1). Las máximas demandas se registran en situaciones de alta producción durante épocas de elevada temperatura ambiente, representando un incremento del 100% respecto a la situación menos exigente. Si no se toma en cuenta esta gran variación a la hora de definir el manejo de agua, probablemente se esté limitando el consumo de agua e indirectamente el consumo de MS, que probablemente ya se encuentre reducido por efecto del estrés calórico.  
 

Gráfica 1. Efecto del nivel de producción de leche y  
de la temperatura sobre el consumo de agua de bebida  
 

Bovinos de carne 

La  información disponible para cálculo de requerimientos de agua en bovinos de carne no es tan precisa como lo es en el caso de vacas lecheras. En el Cuadro 1 se presenta el consumo diario aproximado de agua para diferentes categorías y rangos de temperatura ambiente.  
Claramente se ve que las categorías que mayor cantidad de agua demandan diariamente son las vacas de cría lactando y animales en crecimiento y terminación en situaciones de elevada temperatura ambiente. Estos cálculos no consideran la tasa de ganancia de peso vivo. No obstante, si se considera que para animales en crecimiento activo el agua llega a representar hasta un 70% del aumento de peso, los requerimientos de agua deberán ser aumentados.  
Una forma de aproximación muy general a las necesidades diarias de agua es calcular un consumo de 10,5 litros cada 100 kg. de peso vivo (Csiro, 1994). En este caso debe tenerse presente que ninguno de los factores analizados anteriormente es tenido en cuenta, motivo por el cual el margen de seguridad que debe agregarse aumenta.  
 

Cuadro 1. Consumo diario aproximado de agua (litros por animal) en ganado de carne.  

Adaptado de Winchester y Morris, 1956 citado por NRC, 1996.
  
 

¿Consumen los animales toda el agua que requieren?
Una vez definidos los requerimientos diarios de agua del rodeo y qué proporción de estos debe ser ofrecida como agua de bebida, es necesario asegurarse que los animales efectivamente logren consumir la cantidad de agua que demandan. 

Existen diversos factores, tanto de manejo, como de infraestructura y características de la fuente de agua, que pueden incidir negativamente sobre el consumo voluntario de agua. Entre estos, los más importantes son: 

    • frecuencia y periodicidad de la oferta de agua,  
    • facilidad de acceso a la fuente de agua,  
    • interacciones sociales y de comportamiento,  
    • calidad del agua.
En términos generales una restricción en la frecuencia de oferta  y en el acceso a la fuente, así como una mala calidad del agua pueden limitar el consumo diario, determinando que el consumo real de agua sea inferior a las necesidades, o al consumo potencial (ver Figura 1). 

Vacas lactando consumen más agua y producen más leche cuando el agua está disponible de forma continua que cuando la frecuencia de acceso se reduce (ARC, 1980). Estos efectos son probablemente mayores en la medida que la demanda diaria del rodeo aumenta, principalmente asociada a altos niveles de producción y elevada temperatura ambiente.   
 

Aún con abundante agua el ganado sufre largas esperas para acceder a la misma por escasa reposición.  
Cuando un número fijo de animales debe tomar agua durante un período limitado de tiempo, las posibilidades de que todos los animales satisfagan sus requerimientos depende de factores de comportamiento animal y características de las instalaciones de agua. Estos factores hacen referencia, principalmente, a la tasa de consumo y a la capacidad individual de consumo de agua, a las posibilidades de acceso simultáneo a la fuente de agua,  y al volumen de agua y tasa de flujo o reposición de la misma, en el caso de bebederos. Cuando alguna de estas variables se torna restrictiva, probablemente el consumo de agua del grupo en su conjunto se vea limitado. Esta situación se agrava cuanto mayor es la cantidad de agua que el lote precisa consumir, ya que difícilmente consiga llenar los requerimientos en una o dos oportunidades diarias de bebida.  
 
Un aumento en la tasa de flujo del agua, reduce el tiempo destinado a la bebida, el número de veces que el animal se traslada al bebedero y aumenta el consumo total (Gráfica 2). 
 
Gráfica 2. Efecto de la tasa de flujo de agua sobre parámetros  de consumo de agua. 
 
 
 
Los bebederos deben dimensionarse acorde a la dotación y sobretodo el diámetro de la cañería y el caudal de reposición
 

Aún cuando la oferta de agua sea continua, contar con bebederos con adecuada accesibilidad y disponibilidad de agua es importante, dado que los animales tienden a beber en grupo asociado a otras actividades como alimentación u ordeñe. El patrón de consumo de agua está muy relacionado al patrón de consumo de alimento, mostrando claramente momentos de mayor consumo a lo largo del día (Gráfica  3). Durante los períodos de mayor consumo de agua, los efectos de dominancia social determinan que, si el espacio y/o la disponibilidad de agua no es abundante, animales más sumisos no accedan a la fuente, retirándose para volver más tarde e incrementando el tiempo dedicado a esta actividad, o bien, reduciendo el consumo diario. Ha sido registrada una reducción del 7%  y 9% en el consumo de agua y materia seca, respectivamente (Anderson et al, 1984).  
  
  
 

Gráfica 3. Distribución porcentual del consumo total de agua   
a lo largo del día  

La calidad puede incidir negativamente en el consumo de agua y en la salud animal. Por agua de calidad se entiende aquella que presenta entre 2500 y 15000 mg/litro de sólidos totales, no contiene contaminantes, sustancias tóxicas o microorganismos patógenos. La temperatura del agua puede ser considerada un factor de calidad ya que, a mayor temperatura mayor actividad microbiana. Bajo condiciones de alta temperatura ambiental, el agua fresca puede ser más efectiva en reducir estrés calórico, observándose  una disminución de la tasa respiratoria y la temperatura corporal.  

Manejo del agua en sistemas de producción
  
El manejo del agua en el sistema de producción, caracterizado como el conjunto de prácticas que afectan el consumo diario de agua, es un aspecto clave en la medida que hace que el consumo real de agua se aproxime al consumo potencial. Este manejo puede adquirir características particulares dependiendo de la orientación productiva del establecimiento. 

A grandes rasgos puede hacerse un corte entre sistemas lecheros y ganaderos. A su vez, dentro de estos últimos, cabe diferenciar entre sistemas intensivos y extensivos. 

1. Aspectos particulares de sistemas invernadores intensivos  
El manejo del agua interactúa con otras medidas de manejo, principalmente el sistema de pastoreo y la carga animal. Sistemas intensivos que apuestan al manejo de altas cargas instantáneas en pastoreos rotativos plantean problemas de manejo de agua diferentes de sistemas extensivos, donde el tamaño de potrero y la distancia al agua en el potrero generan otra problemática. 

Los animales en crecimiento son muy sensibles a restricciones en el consumo de agua. El manejo de altas cargas en invernadas intensivas aumenta los requerimientos por unidad de superficie, generándose el problema del suministro de agua en el potrero.  
En sistemas de pastoreo rotativo en franjas, con bajos tiempos de permanencia y altas cargas instantáneas, generalmente se genera una restricción en el acceso a la fuente de agua. Son fundamentalmente dos los factores que se conjugan: falta de agua en la franja y comportamiento animal. El primero de éstos, determina que deban “sacarse los animales a tomar agua” o bien que se trasladen a través de callejones hasta el bebedero, el segundo de los factores, determina el movimiento de animales en grupo, siguiendo un padrón diario de consumo de agua, lo que aumenta la demanda instantánea de agua. Del punto de vista del manejo del agua se plantean dos alternativas para levantar la restricción:  
 

• Suministrar el agua directamente en la franja a través del uso de bebederos móviles.  
• Adecuar la infraestructura de suministro de agua al aumento en la demanda instantánea de agua, de forma de asegurar el consumo parejo de todos los animales del rodeo.

Lo ideal es poder contar con el agua directamente en la franja ya que este manejo maximiza las oportunidades de acceso de los animales a la fuente y reduce el costo energético y operativo en traslados de los animales, potencializando los beneficios del manejo del pastoreo. 

Independientemente de la ubicación de la fuente, ésta debe tener la capacidad de suministrar altos volúmenes por unidad de tiempo a los efectos de atender la alta demanda instantánea que genera la carga animal. Cuando los animales deben caminar largas distancias a través de callejones para consumir agua, aumenta el tiempo destinado a esta actividad que se deduce de otras actividades como pastoreo, rumia o descanso. Es importante que la disponibilidad de agua no limite el consumo una vez que llegan al bebedero. De lo contrario, el animal se retira para volver nuevamente en otra oportunidad, o simplemente reduce el consumo. 

En sistemas de pastoreo continuo, con cargas instantáneas más bajas, la distribución del agua en el potrero es la que puede generar restricciones en el consumo de agua. Esta situación se agrava en sistemas extensivos con grandes dimensiones de potreros. Los efectos negativos del traslado de los animales para beber agua a puntos distantes en el mismo potrero se acentúan en condiciones de altas temperaturas, en que el animal prioriza el mantenerse a la sombra. 

2. Aspectos particulares de los sistemas lecheros  
Los sistemas lecheros, debido a la rutina diaria del ordeñe y a la gran demanda de agua que genera la propia producción de leche, plantean diferentes tipos de problemas que los sistemas de invernada intensivos. El suministro exclusivo de agua durante el ordeñe puede restringir el consumo total, principalmente en rodeos de alta producción. El volumen total de agua necesario se incrementa mucho en términos absolutos y puede resultar que parte de los animales no consuman de acuerdo a lo que necesitan. 

Suponiendo que las necesidades promedio de agua del rodeo lechero son de 70 l/día, estos deberían realizar por lo menos la mitad del consumo en cada ordeñe. Consumiendo a una tasa de 7 l/minuto, cada vaca destinará 5 minutos en promedio a beber. Cien vacas, con un tiempo de acceso al agua de 60 minutos, y suponiendo que cada vaca ocupa 0,45 m lineales de bebedero, requieren por los menos 3.75 m lineales de acceso directo al agua, para garantizar que todas las vacas  completen sus requerimientos y suponiendo una tasa de llenado igual a la de extracción. Esta interacción de factores puede condicionar la posibilidad de satisfacer las demandas animales. 

Normalmente, las vacas lactando presentan dos picos diarios de consumo de agua 1 a 3 horas posteriores  al ordeñe, cuando probablemente ya se han retirado del tambo. Durante períodos de elevadas temperaturas el padrón diario de consumo de agua se modifica, reduciéndose el intervalo entre bebidas a menos de dos horas. Se recomienda que en estas condiciones el agua se encuentre disponible en el potrero y cerca de la sombra, de lo contrario el animal prioriza mantenerse a la sombra y no trasladarse a tomar agua. Esta reducción en el consumo de agua probablemente reduzca más el consumo de materia seca que ya es bajo por causa del calor.  
 

Efectos indirectos asociados al manejo del agua
El manejo del agua, presenta efectos indirectos sobre el sistema de producción que deben ser considerados a la hora de evaluar los beneficios asociados a las distintas prácticas de manejo del agua.  

    • Reducción del costo de actividad, y aumento en la eficiencia de conversión del alimento consumido.   
    Los animales en pastoreo, presentan un gasto energético extra asociado al trabajo de cosechar el alimento, el cual depende del tipo y condición de la pastura y de la distancia caminada. La distribución del agua, el clima, el tamaño del potrero y la topografía generan interacciones con estos factores. La distancia caminada en busca del agua aumenta los gastos energéticos de mantenimiento y esto determina, en última instancia diferencias en la performance animal y en la eficiencia de utilización del alimento. 

    • Mejora en la eficiencia de utilización del forraje.   
    La ubicación del agua en el potrero es el punto a partir del cual las actividades del pastoreo se irradian en anillos concéntricos. La utilización del forraje disminuye a medida que aumenta la distancia al punto de distribución del agua, generándose áreas de sobre y sub-pastoreo. 

    • Efecto sobre el reciclaje de nutrientes al suelo.  
    La ubicación de la fuente de agua en el potrero afecta la distribución de las deyecciones animales. Cuando existe un solo punto de abrevadero, los nutrientes que pueden ser aportados al suelo a través de la orina y de las heces se concentran principalmente alrededor de éste, determinando una distribución desuniforme de la fertilidad. Por otro lado, estos nutrientes pueden también desaprovecharse, escurrir a través del suelo y contaminar los cursos de agua. 

  
 

Consideraciones en relación al impacto productivo  
del manejo del agua
Resulta difícil cuantificar el impacto productivo que representa una restricción en el consumo de agua por los animales. Esta dificultad está planteada por la compleja interacción entre factores que determinan los requerimientos y el consumo real de agua y la falta de información experimental que contemple la gran diversidad de situaciones productivas que pueden plantearse. No obstante esto, está clara la esencialidad del agua como nutriente, lo cual enfatiza la necesidad de que los animales consuman agua de acuerdo a sus requerimientos si se espera que produzcan de acuerdo a su potencial.  
  
 

Recomendaciones generales para el manejo del agua  
en sistemas lecheros y ganaderos
 

    • Definir de forma aproximada los requerimientos diarios de agua de las diferentes categorías  del rodeo. 

    • Maximizar las posibilidades de ofrecer una fuente continua de agua.  

      • Especial prioridad a vacas  lecheras de alta producción.  
      • Sistemas de pastoreo intensivo con altas cargas instantáneas. 
       
     Garantizar espacio lineal y disponibilidad permanente de agua en la fuente. Esto requiere, más que volumen de agua, que la tasa de flujo sea suficiente para reponer el agua extraída, reduciendo el tiempo de espera de los animales y maximizando el consumo voluntario.